Animais marinhos - fonte para novos medicamentos

Já imaginou que aqueles animais marinhos que você vê quando vai para a praia no fim do ano podem ser utilizados para medicamentos? Hoje isso é uma realidade.


A utilização de produtos naturais, especialmente plantas, como medicamentos não é algo novo. Hipócrates, considerado o pai da medicina moderna, utilizava a natureza como guia na escolha dos remédios. É seu o registro da utilização da espécie botânica Papaver somniferum (papoula), planta cujo princípio ativo é a morfina, utilizada até hoje como analgésico. As primeiras descrições de uso de plantas medicinais pelo homem vem das sagradas escrituras e ao papiro de Ebers, traduzido pela primeira vez, em 1890.



O isolamento das primeiras substâncias puras, a partir de plantas, começou a acontecer no século XVIII, com a extração de compostos ativos, principalmente de ácidos orgânicos e alcaloides. É desta época o isolamento da quinina e estriquinina. Após o avanço da química orgânica, esses compostos puderam ser sintetizados, e assim surgiu a reserpina.


Apesar de muitas moléculas descobertas não terem sido utilizadas na clínica, elas serviram como modelos para o desenvolvimento de inúmeros medicamentos sintéticos, como a procaína, cloroquina, tropicamida, vimblastina, vincristina, podofilotoxina e os análogos (etoposídeo e teniposídeo), taxol e camptotecina.


Hoje, novos compostos ainda são extraídos de plantas, mas se trata de um produto bastante investigado, e nesse sentido os organismos marinhos representam a fronteira do conhecimento para novas moléculas. Isso inclui animais, microrganismos, e inclusive plantas marinhas.


Nos últimos anos, vários compostos derivados de organismos marinhos foram aprovados pela Agência Americana Food and Drug Administration (FDA) para o tratamento de câncer (Ara-C e Trabectedina), para dor (ziconotide) e para hiperglicemia (Lovaza®) e antiviral (Ara-A). Só nesse ano de 2018, outros compostos estão em fases clínicas de desenvolvimento: 6 em Fase III, 10 em Fase II e 3 em Fase I, principalmente para tratamento de câncer.



Portanto, novos compostos estão sendo descobertos a cada dia e o nosso grupo tem contribuído com isso. Já identificamos compostos antivirais, anti-inflamatórios e antioxidantes em ouriços-do-mar e raias marinhas. Logo traremos essas novidades!



http://www.scielo.br/pdf/qn/v25s1/9413.pdf

http://marinepharmacology.midwestern.edu/clinical_pipeline.html

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422009000300014


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