Bactérias intestinais e Doença de Alzheimer. Qual a relação?

Pode parecer que não, mas pesquisas mostram que moléculas produzidas por bactérias intestinais podem ser uma das causas da Doença de Alzheimer



Acredita-se que a causa da Doença de Alzheimer seja a formação e o acúmulo de placas amiloides e proteínas fosforiladas (tau) em certas regiões do cérebro, que causam uma série de modificações nos neurônios, como aumento de espécies reativas de oxigênio e inflamação, levando-os à morte. Não se sabe ao certo o porquê ocorre esse acúmulo, mas a hipótese mais aceita é que a causa seja genética.

Os medicamentos que existem hoje em dia aumentam a concentração de neurotransmissores (acetilcolina) ou inibem outros (NMDA), melhorando a comunicação entre as células, e consequentemente a formação da memória e os sintomas da doença. No entanto, o tratamento apenas prolonga a vida dos pacientes, não existindo ainda uma cura.

Novas pesquisas têm focado no desenvolvimento de medicamentos inibidores de enzimas que formam as placas amiloides, e alguns deles já estão em fase clínica final!

No entanto, essa nova terapia também foca no tratamento, e não atinge a causa da doença, que ainda permanece desconhecida.


Muitos pesquisadores têm estudado como as placas amiloides podem ser formadas, e alguns chegaram à conclusão que as bactérias intestinais podem ter participação nesse processo.


O eixo cérebro-microbiota intestinal é um sistema de comunicação bidirecional, que inclui várias vias metabólicas. As bactérias também produzem amiloides, que podem deixar o intestino e acumular em regiões do cérebro, causando aumento de espécies reativas de oxigênio e aumento da inflamação, o que leva ao acúmulo das placas amiloides observadas na Doença de Alzheimer. Moléculas secretadas por bactérias, como o LPS, podem aumentar ainda mais essa inflamação, levando à formação de mais placas.

Nutrients. 2018 Nov; 10(11): 1765.

Como se tratam de bactérias intestinais, a dieta é fundamental para a modificação do perfil de bactérias no intestino e consequentemente da produção de seus metabólitos. Por exemplo, a baixa ingestão de verduras tem sido associada à DA e ácidos graxos poli-insaturados podem ser anti-inflamatórios e imunomoduladores, sendo utilizados em doenças neurodegenerativas. No entanto, altas concentrações de ácidos graxos pode levar as bactérias à produção de alguns metabólitos, que podem prejudicar a DA.


Assim, estão sendo estudados quais os componentes da alimentação podem prejudicar ou melhorar os pacientes da DA. Nesse sentido, o nosso grupo de pesquisa está buscando financiamento para estudar esses fenômenos e poder contribuir para o entendimento da causa da Doença, o que irá facilitar a busca por um tratamento efetivo.


J Alzheimers Dis. 2017;58(1):1-15. doi: 10.3233/JAD-161141.

Nutr Rev. 2016 Oct;74(10):624-34. doi: 10.1093/nutrit/nuw023.

Eur Rev Med Pharmacol Sci. 2019 Jan;23(1):426-430. doi: 10.26355/eurrev_201901_16791.

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